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9 de junho de 2016

Manutenção dos juros agrava o desemprego, avalia CNI

A manutenção dos juros em 14,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) agravará a recessão e o desemprego, avalia a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Em comunicado, a CNI informou que as taxas só podem ser reduzidas quando o governo cortar gastos.

No texto, a entidade destaca que a queda da atividade econômica ultrapassou o limite do sustentável e que a manutenção dos juros básicos era esperada: “a decisão do Copom não surpreendeu a indústria, pois a inflação alta resiste e continua distante da meta”.

Para a CNI, a economia só poderá retomar o crescimento quando os juros caírem, mas a redução depende da implementação das propostas de ajuste fiscal anunciadas pelo governo. “Essas medidas são decisivas para o país controlar a demanda, afastar o risco do aumento insustentável da dívida pública e recuperar a confiança dos investidores”, concluiu o comunicado.

Fonte: Agência Brasil

8 de junho de 2016

Dois milhões de trabalhadores ainda não sacaram o PIS/Pasep

O Ministério do Trabalho calcula que dois milhões de trabalhadores ainda não sacaram o PIS/Pasep (Programa de Integração Social e o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público) referente a 2015. O dinheiro estará disponível até o dia 30 de junho. O abono equivale ao valor de um salário mínimo, vigente na data de pagamento (R$ 880) e pode ser retirado nas agências da Caixa e Banco do Brasil. O Ministério informou também que os benefícios que ainda não foram sacados somam R$ 1,7 bilhão.

Têm direito ao abono pessoas cadastradas no PIS/Pasep há pelo menos cinco anos; com remuneração mensal média de até dois salários mínimos durante o ano-base de atribuição do benefício; e que exerceram atividade remunerada durante pelo menos 30 dias.

Em todo o Brasil, 23,6 milhões de trabalhadores têm direito a receber o abono. 21,5 milhões já fizeram os saques. Os dois milhões que ainda não acessaram o recurso representam 8,7% dos trabalhadores beneficiados. O estado com o maior número de trabalhadores que não sacaram o abono é São Paulo, onde 684.937 pessoas ainda não resgataram o benefício, seguido de Minas Gerais (197.428) e Rio de Janeiro (180.639).

Por correspondência

O Ministério do Trabalho anunciou, ainda, que está enviando correspondências no endereço de domicílio dos trabalhadores que podem sacar o benefício. O objetivo é, por meio dos comunicados, atingir pelo menos 1,2 milhão de beneficiários que estão com o endereço corretos na base de dados do governo.

Segundo o governo, é importante que o trabalhador verifique antes se o benefício não foi depositado diretamente na conta. Se notar que não houve o crédito, deve comparecer com o Cartão do Cidadão e senha cadastrada nos terminais de autoatendimento da Caixa ou em uma Casa Lotérica. Caso não tenha o Cartão do Cidadão, o pagamento poderá ocorrer em qualquer agência da Caixa com a apresentação de um documento de identificação. No caso dos participantes do Pasep, o local para o saque é o Banco do Brasil.

As informações sobre o direito ao saque também podem ser obtidas pela Central de Atendimento Alô Trabalho (158); pelo 0800-7260207, da Caixa; e pelo 0800-7290001, do Banco do Brasil.

O Programa de Integração Social (PIS) e o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) são contribuições sociais de natureza tributária, devidas pelas pessoas jurídicas, com objetivo de financiar o pagamento do Seguro-Desemprego e Abono Salarial.

O PIS destinado aos funcionários de empresas privadas regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e o PASEP é destinado aos servidores públicos. Os recursos que não são sacados retornam para o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

Fonte: UOL.

Os dez produtos que mais subiram de preço em Curitiba neste ano

Esqueça a influência do dólar, a energia elétrica e a gasolina. Neste ano, os produtos cujos preços mais subiram entre janeiro e maio em Curitiba foram alimentos dos mais comuns na mesa do brasileiro. O campeão foi o mamão.

Depois de se tornar a maior do país durante o ano passado por causa do reajuste da energia e da alta no ICMS, a inflação na região de Curitiba está se comportando melhor em 2016. Em maio, o IPCA na capital ficou em 0,64%, abaixo da média nacional de 0,78%. Com isso, o índice acumulado no ano ficou em 3,55%, também abaixo do nacional, de 4,05%. A tendência é que a inflação curitibana em 12 meses fique mais perto da média nos próximos meses. Em maio ela foi de 9,57%, contra 9,32% no país.

O índice curitibano nos cinco primeiros meses do ano foi muito influenciado pela alta dos produtos farmacêuticos (11,25%), educação (7,96%), saúde (6,69%) e alimentos (5,97%). Individualmente, são produtos do grupo alimentos os que registram as maiores altas. Veja abaixo os dez que mais subiram entre janeiro e maio:

1. Mamão: 69,8%

2. Batata inglesa: 66,19%

3. Cenoura: 60,42%

4. Brócolis: 51,23%

5. Cebola: 47,29%

6. Morango: 44,72%

7. Uva: 38,66%

8. Repolho: 36,62%

9. Feijão carioca: 33,46%

10. Couve: 26,78%

6 de junho de 2016

Trabalhadores da Funpar iniciam greve no HC nesta segunda

Os trabalhadores do Hospital de Clínicas (HC), contratados junto à Fundação da Universidade Federal do Paraná (Funpar), entraram em greve por tempo indeterminado nesta segunda-feira (6). É a segunda paralisação dos funcionários em menos de um mês. Desta vez, a razão é o reajuste salarial da categoria.

Pacientes relatam que muitos atendimentos não estão sendo realizados. Até perto das 8 horas uma fila com mais de 100 pessoas aguardava no lado de fora do maior hospital público do Paraná. Ainda não há um balanço dos serviços afetados devido à paralisação.

Conforme o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Terceiro Grau Público do Paraná (Sinditest-PR), 851 dos 3.132 trabalhadores que atuam no hospital são contratados pela Funpar e atuam em todos os setores da instituição.A greve foi aprovada em assembleia realizada na última quinta-feira (2). A categoria cobra reposição salarial, já que a data-base dos funcionários da Funpar foi no dia 1.º de maio. Estima-se que 300 funcionários da Funpar tenham aderido à greve na manhã desta segunda.

Segundo o sindicato, a Funpar ofereceu reajuste salarial de 5,2% – abaixo do índice da inflação que chega perto de 9%. O Sinditest chegou a enviar uma primeira proposta de acordo coletivo para a comissão de negociação patronal reivindicando um reajuste de 20,16%. “Essa proposta foi feita informalmente por telefone. Não houve nem uma proposta oficial. A direção do hospital e da Funpar estão arrastando as negociações”, afirma um dos diretores do Sinditest, Carlos Pergurski.

Impactos

A greve atinge pacientes de diversas cidades que buscam atendimento no HC. Silvana Buten, que veio de Ponta Grossa, nos Campos Gerais, estava na fila desde às 6 horas desta segunda e não recebido nenhuma informação sobre a situação. “Estou viajando desde às 4 horas e não sei se serei atendida. Levei um mês e meio para conseguir agendar uma consulta e há o risco de não ter o atendimento”, afirma.

Situação parecida vive Ivonete Maria Conceição, que trabalha como diarista. “Estou perdendo minha consulta e um dia de trabalho. Poderiam, ao menos, ter nos avisado de que o atendimento não seria realizado”, relata ela que mora em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba.

Duas greves em um mês

Em maio, a categoria já havia iniciado uma greve por dois motivos. Além da reposição salarial , estava em jogo uma disputa judicial de qual sindicato representa a categoria. Isso porque o Tribunal Superior do Trabalho (TST) decidiu que “os funcionários do Complexo Hospital de Clínicas/Funpar devem ser representados pelo Sindicato dos Empregados em Entidades Culturais, Recreativa, de Assistência Social, de Orientação e Formação Profissional no Paraná (Senalba)”.

No entanto, um acordo,intermediado pelo Tribunal Regional do Trabalho do Paraná (TRT-PR), determinou que o Sinditest passasse a ser reconhecido efetivamente como representante dos servidores do HC contratados via Funpar, pelo menos até que o Supremo Tribunal Federal (STF) julgue uma ação que tramita na corte sobre a matéria.

Siquim protocola Pauta de Reivindicações do SESCAP-PR

O Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas no Estado do Paraná (SESCAP-PR) já recebeu a Pauta de Reivindicações para renovação do Acordo Coletivo de Trabalho 2016/2017 protocolada pelo Siquim! Segue abaixo:









3 de junho de 2016

Temer admite recorrer à CPMF e estabelecer idade mínima em aposentadorias

O presidente interino, Michel Temer, admite que a CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) pode voltar e que o limite de idade para a aposentadoria poderá aumentar. As declarações foram feitas em entrevista veiculada na noite desta quinta-feira (2) ao "SBT Brasil", concedida ao jornalista Kennedy Alencar.

"Ou a Previdência Social tem de ser reformulada, ou então todos os pensionistas sofrerão", disse o presidente, que acredita que a questão da idade mínima e o tempo de contribuição precisarão ser modificados, tanto para a iniciativa privada como para os servidores públicos. "Não queremos prejudicar aqueles que já estão no mercado de trabalho. Podemos estabelecer regras de transição. Se o prazo é de 35 anos, talvez quem tenha, sei lá, 15, 20 anos [de contribuição] tenha que contribuir mais um ano, por exemplo. Mas isso é benefício do próprio cidadão."

Sobre a CPMF, ele afirmou que a volta do imposto não está descartada, mas que seu governo tentará ao máximo evitar recorrer a esse expediente. "Descartado aumento de imposto não está, se for necessário, farei. Tentaremos evitar. Se vier, será necessariamente temporário", disse o presidente interino.

Em relação à herança que recebeu da presidente afastada, Dilma Rousseff, Temer disse que encontrou um panorama bastante complicado, com o desemprego em alta, com 11 milhões de pessoas sem trabalho, e um deficit orçamentário de R$ 170 bilhões. "Ainda bem que o Congresso aprovou novas metas fiscais, assim o governo poderá continuar operando."

Fonte: UOL.

Bandeira tarifária em contas de luz continua verde

A bandeira tarifária aplicada nas contas de energia elétrica em junho será a verde, ou seja, não haverá acréscimo de valor para os consumidores. Este é o terceiro mês seguido em que a bandeira definida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) é verde. A decisão foi tomada nesta terça-feira, em reunião extraordinária da diretoria da agência.

Segundo a Aneel, a manutenção da bandeira verde foi possível por causa do resultado positivo do período úmido, que recompôs os reservatórios das hidrelétricas. Além disso, houve o aumento de energia disponível com redução de demanda e a adição de novas usinas ao sistema elétrico do país.

Desde que foi implementado o sistema de bandeiras tarifárias, em janeiro de 2015, até fevereiro de 2016, a bandeira se manteve vermelha (com cobrança de R$ 4,50 a cada 100 quilowatts-hora consumidos). Em março, passou para amarela (com taxa de R$ 1,50 a cada 100 kWh) e, em abril e maio, a bandeira foi verde.

Compensação

O sistema de bandeiras tarifárias foi adotado como forma de recompor os gastos extras das distribuidoras de energia com a compra de energia de usinas termelétricas. A cor da bandeira que é impressa na conta de luz (vermelha, amarela ou verde) indica o custo da energia elétrica, em função das condições de geração de eletricidade.

Por exemplo, quando o nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas está mais baixo, por causa da falta de chuvas, é preciso aumentar o uso de usinas termelétricas para garantir a energia necessária para o país. Como a energia gerada por termelétricas é mais cara, o custo da energia fica maior, e a bandeira tarifária passa a ser amarela ou vermelha. Segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico, o nível dos reservatórios das regiões Sudeste e Centro-Oeste está atualmente em 56,6% de sua capacidade máxima.

De acordo com a Aneel, a bandeira tarifária não é um custo extra na conta de luz, mas uma forma diferente de cobrar um valor que era incluído na conta de energia, sem acréscimo no reajuste tarifário anual das distribuidoras. Segundo a agência, a bandeira torna a conta de luz mais transparente e o consumidor tem a melhor informação para usar a energia elétrica de forma mais consciente.

Fonte: Band.

2 de junho de 2016

Aposentados e pensionistas se mobilizam pelo retorno do Ministério da Previdência

Aposentados e pensionistas prometem ocupar hoje (2) agências do INSS em diversas cidades do país. A mobilização visa a exigir a volta do Ministério da Previdência, que foi anexado à pasta do Trabalho ainda na gestão da presidente afastada Dilma Rousseff.

A manifestação, convocada pela Confederação Brasileira dos Aposentados e Pensionistas (Cobap), é organizada por diversas entidades participantes do Fórum Nacional em Defesa da Seguridade, lançado terça-feira (31) em Brasília.

Representantes dos aposentados e pensionistas das cidades de São Paulo, Florianópolis, Rio de Janeiro, Cuiabá, Aracaju, Natal, Recife, Salvador já confirmaram que participarão do ato. Em Minas Gerais, as manifestações estão previstas para a capital e interior.

Já em Brasília, a ocupação será liderada pelo presidente da Cobap, Warley Martins, que espera contar com o apoio dos próprios servidores do INSS. "Temos que debater o futuro da população brasileira, mas de forma responsável, sem tratar como lixo os segurados do INSS", afirmou Warley.

Uma possível proposta de reforma no sistema de aposentadorias deve ser apresentada nos próximos dias pelo governo do presidente interino, Michel Temer. O projeto é discutido entre a equipe econômica em parceria com centrais sindicais.

A reforma na Previdência é considerada como essencial no projeto do novo governo para realinhar as contas públicas e fazer com que o país volte a crescer. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, já defendeu que seja estabelecida uma idade mínima para as aposentadorias.

1 de junho de 2016

Brasileiro falará na OIT sobre ameaça de perda de direitos

O representante dos trabalhadores na 105ª Conferência Internacional do Trabalho, em Genebra, vai fazer sua intervenção na semana que vem ressaltando as ameaças aos direitos sociais, no Brasil e no mundo. "Há uma tendência mundial nessa questão. Estamos vendo isso agora na França. Há um ataque mundial a direitos trabalhistas", diz Sérgio Luiz Leite, o Serginho, dirigente da Força Sindical e do setor químico, que falará no próximo dia 8. Realizada na sede da Organização Internacional do Trabalho (OIT), a conferência começou ontem (30) e vai até 10 de junho, com 5 mil delegados dos 187 países-membros.

A situação política brasileira não deverá ser abordada no discurso, devido a um acordo entre as centrais sindicais. Na semana passada, o secretário de Relações Internacionais da Força, Nilton Souza da Silva, o Neco, disse que a entidade tentaria chamar a atenção internacional, durante a conferência, no sentido de que não houve um golpe no Brasil. O delegado oficial dos trabalhadores ressalta, no entanto, que essa oposição não é uma posição da Força, onde se fez opção pela neutralidade, com muitos dirigentes compartilhando a convicção de que o processo foi ilegítimo – o próprio Serginho lembrou ter falado sobre isso durante o recente congresso da Confederação Sindical das Américas (CSA): "Impeachment sem crime de responsabilidade afronta a democracia".

Para não "rachar" a bancada sindical durante a conferência, ficou acertado que a questão política não será abordada durante o discurso. "Não vamos falar sobre isso na fala oficial", diz Serginho. No mesmo dia 8, discursará o ministro do Trabalho brasileiro, Ronaldo Nogueira. Pelos empregadores, o delegado é Darci Piana, vice-presidente administrativo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

As centrais sindicais brasileiras devem apoiar a reeleição do diretor-geral da OIT, o britânico Guy Ryder, de origem sindical. Na abertura do evento, ele afirmou que os níveis desigualdade, que já são inaceitáveis, tendem a crescer. "A mesma capacidade de gerar riqueza que dá a oportunidade de deixar a pobreza para trás nos põe sob o risco de nos afastar cada vez mais do objetivo de obter justiça social."

Outra questão que deverá ser discutida é a denúncia feita pelas centrais brasileiras contra o Estado, por interferência na organização sindical, como vetos do Ministério Público a cobranças de taxas para trabalhadores não sindicalizados. "Há uma afronta à lei de greve, através dos chamados interditos proibitórios", afirma Serginho, referindo-se ao mecanismo judicial usado largamente por empresas durante paralisações. Além disso, segundo ele, os empregadores têm demitido dirigentes sindicais. O representante brasileiro na conferência da OIT vê ainda "abuso" nas interpretações sobre o que é serviço essencial, para coibir greves.

Ontem, a ministra do Trabalho da África do Sul, Mildred Oliphant, foi eleita presidenta da conferência. Os vices são Luis Ernesto Carles (governo), do Panamá, Alberto Echavarría (empregadores), da Colômbia, e Eric Manzi Mwezi (trabalhadores), de Ruanda.

Para especialistas, mexer na Previdência corta nos pobres para preservar ricos

“A Previdência é um dos pilares da proteção social brasileira. Estamos falando da vida de 30 milhões de famílias. Não dá para brincar com isso. Não dá para tratar esse setor com objetivos econômicos de curto prazo”, afirmou o professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Eduardo Fagnani, durante audiência pública de lançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência Social, realizada hoje (31) no Senado.

O debate teve exposição de argumentos e estudos de diversos grupos organizados da sociedade civil. A unanimidade entre os presentes foi a preocupação com reformas conduzidas pelo governo interino de Michel Temer. Entre elas a extinção do Ministério da Previdência Social, com a anexação da pasta ao Ministério da Fazenda.

“Os setores ligados aos detentores das riquezas financeiras e os economistas liberais ligados ao mercado induzem a um falso consenso de que o problema fiscal do Brasil está relacionado aos gastos sociais”, disse Fagnani em referência à subordinação de um direito social constitucional à pasta da Fazenda, e no caso em questão ao mercado financeiro.

“Se dizem que não conseguem resolver o problema de curto prazo da economia sem rever a Previdência, garantido pelo contrato de redemocratização do país, querem acabar com a Constituição”, afirmou o professor. “Jamais aceitaram as conquistas de 1988. Na última etapa de aprovação da Constituinte, o presidente Sarney foi em cadeia de rádio e TV dizer que deveriam mudar o documento, senão país não seria governável”

Reformas que promovem cortes na Previdência não resolvem o problema, simplesmente revertem o capital destinado ao setor para os mais ricos, na avaliação de Fagnani. “Nenhuma reforma neste sentido tem efeito no curto prazo. Você não pode mexer com direitos adquiridos, então eles se baseiam na mentira. O objetivo é só econômico, querem capturar os recursos. Querem terminar o serviço que tentam há tempos”, alertou.

O pesquisador do Dieese Frederico Mello comparou os movimentos pretendidos pela equipe de Henrique Meirelles com os juros da dívida pública: “Ambos são duas formas de transferências de renda. Diminuir o que o Estado destina a atender aos pobres para preservar o que se paga aos ricos”.

Fagnani questionou a natureza da composição do “rombo na Previdência”, que classifica como mentirosa. “Se existe uma crise na previdência, o problema é aumento de despesa ou redução de receitas? Se for redução de receitas, tem a ver com recessão da economia, fatores externos, macroeconômicos. Tem culpa, então, o ajuste fiscal. A recessão é funcional para o capital financeiro. E é mentira a questão do rombo. Temos superávit, como mostram fundações de pesquisa.”

Para os palestrantes, o discurso do envelhecimento da população como explicação para ajustes na Previdência são falaciosos. Segundo Frederico Mello, a questão demográfica é filtrada por outras dimensões antes de causar impacto na previdência. “O ponto mais simples é o da produtividade econômica. Se o Brasil inserisse mais pessoas, teríamos mais pessoas, essas sustentariam receitas da previdência”, disse.

“O problema é que com projetos, como os que tramitam no Congresso, como a prevalência do negociado sobre o legislado, eles sinalizam não para uma cadeia econômica com trabalho mais precarizado, para uma via de diminuição de salários. Isso leva a dificuldades para sustentar a seguridade”, explicou Mello.

A observação de que a tentativa de reforma da Previdência caminha junto com a da reforma trabalhista foi seguida pelo presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), Carlos Silva. “São duas questões que vão cair sobre os ombros dos trabalhadores. Sobre eles, pesam medidas e graves ameaças como a terceirização, mudança no conceito de trabalho escravo, privilégio do negociado sobre o legislado, ameaça da redução da maioridade trabalhista e revogações de proteções à vida dos trabalhadores”, afirmou.