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17 de abril de 2017

Governo quer manter prevalência de acordos coletivos na reforma trabalhista

O governo não pretende abrir mão do ponto da reforma trabalhista, encaminhada ao Congresso Nacional, que garante que as negociações firmadas em acordos coletivos entre trabalhadores e empregadores devem ter força de lei. Segundo o ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, o objetivo é dar segurança jurídica aos contratos e evitar futuros processos judiciais.

“Nós pretendemos que aquilo que a convenção coletiva delibere nos termos da lei tenha força de lei. Para que o bom empregador não fique com medo de contratar, e que o acordo coletivo realizado com a participação do sindicato seja respeitado”, explicou o ministro hoje (11).

Segundo ele, o governo quer preservar ao máximo o texto da reforma trabalhista que foi encaminhado ao Congresso Nacional. “Principalmente aquelas colunas fundamentais que motivaram o governo a apresentar a reforma, depois de um diálogo amplo com movimento sindical dos trabalhadores e com instituições de empregadores, para proporcionar a modernização trabalhista”, diz.

No Congresso Nacional, a proposta recebeu 844 emendas nos 13 pontos abordados pela reforma e o texto final deve ser apresentado amanhã (12) pelo relator, deputado Rogério Marinho (PSDB-RN). “A nossa preocupação é de que alguma dessas emendas não desconfigure a proposta original encaminhada pelo governo”, diz o ministro.

Nogueira disse também que já há um acordo com o relator da proposta para que a nova legislação estabeleça proteções aos trabalhadores terceirizados. “O Ministério do Trabalho vai combater qualquer burla à legislação no sentido de substituição de trabalhadores celetistas por pessoas jurídicas”, garantiu Nogueira.

Modernização

Segundo o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Ives Gandra, há muitos pontos defasados na legislação atual. “No meu modo de ver, [a reforma trabalhista] não é retirar direitos, é colocar aquilo que faltava na legislação e que a Justiça do Trabalho acabava tendo que suprir aquilo que era próprio do poder Legislativo”, disse o ministro.

Para ele, também é importante haver leis específicas para tratar sobre a terceirização do trabalho no país. “Cada vez que nós vemos questões de terceirização sendo discutidas em cima de uma única sumula do TST, é importante que tenha um marco regulatório mais amplo. E podemos ainda aperfeiçoar esse marco”, disse.

Acidentes de trabalho

O ministro Ronaldo Nogueira e o presidente do TST participaram hoje do lançamento da Campanha Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho, que faz parte do movimento Abril Verde, para dar visibilidade ao tema da segurança e saúde no trabalho. Um dos destaques da campanha neste ano é o setor de Transportes Terrestres, que ocupa o primeiro lugar em quantidade de óbitos e o segundo lugar em incapacitações permanentes.

Nos últimos cinco anos foi registrada uma média de 710 mil acidentes de trabalho por ano. Destes, 2,8 mil resultaram em morte e 15 mil em sequelas permanentes. As despesas anuais da Previdência Social com acidentes de trabalho são de cerca de R$ 11 bilhões.

“A campanha tem o objetivo de despertar uma consciência educativa para promover um novo comportamento, tanto do empregador como do próprio trabalhador e a sociedade como um todo, para reduzir esses números”, disse o ministro Ronaldo Nogueira.

Senado aprova criação de documento único de identidade

O plenário do Senado aprovou nesta terça-feira, 11/04, o projeto de lei que cria o Documento de Identificação Nacional, que reunirá dados biométricos e civis, como Registro Geral, Carteira Nacional de Habilitação, Cadastro de Pessoa Física (CPF) e título de eleitor em um único documento.

De acordo com o projeto, a Identificação Nacional dispensará a apresentação dos documentos que lhe deram origem ou nele mencionados e será emitida pela Justiça Eleitoral, ou por delegação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a outros órgãos para aproveitar o cadastro biométrico nacional realizado para as eleições.

O documento será impresso pela Casa da Moeda e usará como base de identificação o CPF.
Conforme o texto, o documento único será emitido com base na Identificação Civil Nacional, criada pelo projeto com o objetivo de juntar informações sobre o cidadão.

A nova base de dados será gerida pelo TSE, que garantirá o acesso à União, aos estados, ao Distrito Federal, aos municípios e ao Poder Legislativo.

O relator do projeto, senador Antônio Anastasia (PSDB-MG) acatou apenas uma emenda de redação e, por isso, o texto não precisará retornar para revisão da Câmara dos Deputados. Com isso, a matéria segue para sanção do presidente Michel Temer.

12 de abril de 2017

Oposição a Beto Richa quer investigação de favorecimento a acionistas da Sanepar

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu no início deste mês um processo administrativo para apurar movimentações suspeitas envolvendo ações negociadas no Ibovespa da Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná, estatal que detém a concessão dos serviços públicos de saneamento básico no estado). Aberta sob o código 19957.003181/2017-10 (SP2017/166), a investigação da CVM foi desencadeada por uma denúncia formal apresentada no fim de março pela liderança da oposição ao governador Beto Richa (PSDB) na Assembleia Legislativa paranaense. A suspeita contida na denúncia é de que tenha ocorrido inside trading, quando um ou mais atores do mercado utilizam-se de informações privilegiadas para obter ganhos negados a outros acionistas, que só saberiam de atos ou decisões relevantes referentes ao futuro da empresa quando estes fossem tornados públicos. Com a investigação, caso se confirmem as suspeitas, a CVM terá condições de eventualmente identificar e punir pessoas envolvidas.

A decisão de apresentar a denúncia foi tomada no início de março, depois de a Agepar, agência reguladora das tarifas públicas no Paraná, ter autorizado um reajuste tarifário de quase 26% nos serviços de água e esgoto. O reajuste seria diluído no decorrer dos próximos oito anos, mas a cada ano seria também reposta a inflação do período. O peso do reajuste, claro, recairia sobre os usuários dos serviços da Sanepar.

E mesmo assim foi considerado insuficiente pelos seus acionistas, que queriam os reajustes diluídos no decorrer dos próximos quatro anos, temendo a possibilidade de que o governo de Beto Richa, que se encerrará em 2018, evite reajustes elevados neste e no próximo ano na tentativa de emplacar um sucessor no Palácio Iguaçu.

“Com essa política de reajustes, a Sanepar hoje faz a recomposição de seu ganho de capital em cima dos usuários“, critica o deputado estadual Tadeu Veneri (PT), líder da oposição a Richa e proponente da denúncia à CVM. “A Sanepar quer tirar o couro do usuário para beneficiar os acionistas privados“, resume.

A autuação da Sanepar ocorreu em 4 de abril, minutos depois do fechamento do Ibovespa naquela tarde, e figura como o mais recente capítulo de um aparente fim da lua-de-mel entre a companhia estatal de água e saneamento básico e o mercado financeiro.

Considerada um dos principais expoentes de um setor sobre o qual os privatistas de plantão passaram a avançar sem cerimônias desde a deposição da presidente Dilma Rousseff, a Sanepar transformou-se em uma espécie de “queridinha“ nas roletas da bolsa entre o fim de 2016 e as primeiras semanas de 2017.

Em dezembro do ano passado, uma oferta pública de ações da Sanepar realizada depois de a empresa ter aderido ao chamado “Nível 2 de Governança Corporativa“ movimentou quase R$ 2 bilhões e permitiu à empresa levantar R$ 258 milhões. Os papéis da estatal do Paraná tiveram alta de quase 50% nas semanas seguintes, atraindo a atenção de grandes investidores. Mas no início de março, os papéis da Sanepar entraram em queda livre, na esteira de um freio posto pela agência reguladora local ao ritmo de reajuste pretendido pela empresa. Agora, a suspeita de inside trading denunciada à CVM tem o potencial de complicar ainda mais a situação da Sanepar.

A denúncia baseia-se em um levantamento realizado pela assessoria técnica da oposição legislativa paranaense e que indica uma estranha incidência de picos de volume de negócios com ações da Sanepar antes da comunicação de fatos relevantes ao mercado pela companhia ao longo dos últimos dois anos.

De acordo com o documento, a história tem início em julho de 2015. No terceiro dia daquele mês, a Sanepar publicou edital de licitação para contratar a empresa que faria a reavaliação dos ativos da estatal. A reavaliação era uma sugestão da gerência de regulação da empresa, criada em 2014 com a missão de desenvolver uma nova metodologia de revisão de tarifas a ser apresentada ao órgão regulador.

Em 3 de julho de 2015, data da publicação do edital, os papéis da Sanepar subiram 13,7%. Um dia antes da publicação do edital – antes, portanto, de a informação ter vindo a público – as ações da companhia tiveram um pico de movimentação 462,2% acima da média das dez sessões anteriores. Outro pico no volume de papéis negociados ocorreria em 6 de julho, primeiro dia de negócios no Ibovespa depois da publicação do edital.

O resultado da reavaliação seria conhecido, por meio de fato relevante, somente no fim de novembro de 2016. Se em 2015 o balanço da Sanepar fechou com ativos da ordem R$ 8,2 bilhões, com a mudança da metodologia os ativos passaram a casa dos R$ 12,7 bi em 2016. Essa reavaliação serviria de base para o pedido de aumento de 26% feito pela Sanepar à Agepar. E isto depois de a tarifa ter subido 107,04% de 2011 a 2016 diante de uma inflação de 48,89% no período e de a companhia ter auferido lucro líquido de R$ 626 milhões no ano passado.

Mais três oscilações discrepantes com a média no volume negociado ocorreriam nos meses seguintes, de acordo com o estudo que embasa a denúncia, todas elas às vésperas de acontecimentos importantes para os rumos da Sanepar, e antes que tais informações viessem a público.

Pouco mais de dois meses depois do edital, em 15 de setembro de 2015, o Conselho de Administração (Cad) da Sanepar convoca uma “análise e deliberação sobre alteração de competências no estatuto social da Sanepar a fim de encaminhamento para Assembleia de Acionistas“. Tratava-se da decisão de apresentar à Assembleia Geral a proposta de migração para o Nível 2 de Governança Corporativa, o que viria a ocorrer somente mais de oito meses depois, em 24 de maio de 2016 .

A adesão ao Nível 2 de Governança Corporativa elevaria o patamar de transparência da empresa e teria impacto potencialmente positivo aos olhos dos investidores. Já em 16 de setembro de 2015, porém, mesmo com a menção genérica presente na ata – e mais uma vez antes que a decisão tivesse sido informada ao mercado –, o volume de negócios com papéis da Sanepar registrou pico de 209,5% superior à média dos dez pregões anteriores.

Quase um ano depois deste segundo evento, na tarde de 16 de agosto de 2016, o Cad da Sanepar aprovaria a estruturação da oferta pública que ocorreria em dezembro daquele ano. Antes que tivesse sido divulgada a ata da reunião, o volume de ações negociadas salta de 289.400 no dia 15 para 1.556.300 no dia 16. Na comparação com as dez sessões anteriores à de 16 de agosto, o volume de transações saltou 847,8%.

O volume de negócios com papéis da Sanepar seguiria elevado até o fim de agosto, antes de voltar ao nível médio anterior. Em 28 de setembro, em resposta a um pedido de esclarecimento expedido pela Superintendência de Acompanhamento de Empresas da BMF&Bovespa, depois de o jornal Valor Econômico ter noticiado a estruturação do oferta pública, a Sanepar admite ter comunicado a CVM somente às 8h51 de 18 de agosto.

A aprovação definitiva da oferta de ações que transformou a Sanepar em estrela em ascensão no mercado de ações ocorreu em reunião extraordinária iniciada em 17 de outubro e, segundo a ata, encerrada somente ao meio-dia de 18 de outubro. Já no dia 17, entretanto, os papéis da companhia valorizaram-se 5,13% em meio a um salto de 700% no volume negociado. O fato relevante referente à oferta pública de ações viria a ser publicado apenas no dia seguinte, mantendo elevado o volume de transações.

Nas semanas seguintes, em meio ao roadshow que precedeu a oferta pública de dezembro, um dos principais argumentos dos executivos da Sanepar aos participantes do mercado era a disposição do governo paranaense em manter os reajustes tarifários ao consumidor razoavelmente acima dos índices de inflação, supostamente alheios à repercussão dos aumentos entre os eleitores. Em 2015, uma sequência de três reajustes tarifários da Sanepar em menos de seis meses superou a marca de 20%. No ano passado, as tarifas de água e esgoto subiram mais de 10% no Paraná.

Durante o roadshow, a Sanepar deu a entender que o reajuste no próximo ciclo tarifário totalizaria quase 26%. Nas semanas que se seguiram à oferta pública, os papéis da Sanepar, que em janeiro de 2016 amargavam a mínima de R$ 2,59 por ação, apreciaram-se consideravelmente e chegaram ao início de março de 2017 cotados a mais de R$ 14 por ação.

No início de março, porém, a Agepar, agência reguladora dos serviços públicos no Paraná colocou um freio às pretensões tarifárias da Sanepar. Em 7 de março, a Agepar concluiu sua nota técnica a respeito do reajuste, autorizando a Sanepar a reajustar suas tarifas ao consumidor em 25,63%. Mas o repasse teria de ser diluído em oito anos.

A informação alcançou o mercado via fato relevante apenas no dia 9, mas foi antecedida no pregão do dia 8 por um pico 340,9% superior à média do volume de papéis da Sanepar negociados no Ibovespa nas dez sessões anteriores. Nas 24 horas que se seguiram à divulgação do fato relevante, a Sanepar perdeu R$ 1,1 bilhão em valor de mercado, em meio a uma queda de 17,71%.

Diante dos resultados do levantamento da assessoria técnica, Tadeu Veneri decidiu apresentar uma denúncia formal à CVM. “Solicitamos que a CVM investigue se houve uso indevido de informação privilegiada nas operações de compra e venda de ações no dia 8 de março, que antecedeu o comunicado ao mercado a respeito do parcelamento da revisão tarifária da Sanepar“, declarou.

Apresentada em março, a denúncia converteu-se em processo administrativo no início de abril e ainda não foi encaminhada para nenhuma superintendência da CVM. Caso as suspeitas se confirmem, o passo seguinte segundo os trâmites da comissão será a abertura de um processo administrativo sancionador, com força de punição.

Procurada pela reportagem, a CVM informou que a duração do processo varia de acordo com suas especificidades e esclareceu que qualquer cidadão interessado pode pedir vistas do processo pelo site da comissão. A reportagem também entrou em contato com a Sanepar, mas até o fim da tarde de ontem (10), a assessoria de imprensa da empresa informou não ter conhecimento nem do processo nem da denúncia.



Setor farmacêutico garante reajuste e manutenção de acordo coletivo

Os sindicatos do setor químico e farmacêutico ligados à Fetquim, federação estadual da categoria em São Paulo (CUT), assinaram com as entidades patronais nesta terça-feira (11) a convenção coletiva da categoria, que prevê reajuste de 5%, inclusive sobre o piso salarial, participação nos lucros ou resultados (PLR) e aumento de 20% na cesta básica ou vale-alimentação para quem recebe o piso.

Segundo a entidade, uma novidade é a "ultratividade" do acordo: os itens valerão até a renovação da convenção, que atinge perto de 43 mil trabalhadores. O Dieese calcula o impacto do reajuste em R$ 196,5 milhões nos 12 próximos meses.

De acordo com a Fetquim, o reajuste de 5% para salários nominais de até R$ 8.300 inclui ganho de 0,41 ponto percentual – até março, o INPC em 12 meses, calculado pelo IBGE, está acumulado em 4,57%. Para quem recebe acima daquele valor, o acordo prevê aumento com valor fixo de R$ 415 (5% do teto, que foi corrigido em 6,95%).

A Fetquim, lembra que a inflação perdeu força nos últimos meses, caindo em aproximadamente cinco pontos percentuais em relação a igual período do ano anterior. "É importante destacar que a expressiva queda na taxa da inflação está intimamente ligada ao quadro recessivo da economia brasileira, ou seja, a alta taxa de desemprego, a queda nos salários, a contração dos investimentos públicos e privados, o endividamento das famílias e das empresas e a baixa expectativa dos agentes em relação ao futuro impulsionam para baixo o nível geral de preços", lembra a entidade.

Diante desse cenário, a federação considera "um saldo bastante positivo" o fechamento do acordo com aumento real (acima da inflação). Nas 10 últimas negociações, esse ganho supera 9%, diz a Fetquim.

O piso para empresas com até 100 funcionários foi fixado em R$ 1.477. Nas empresas a partir de 101 empregados, o valor será de R$ 1.629. Com aumento de 6,95% (1,86 ponto acima da inflação), a PLR corresponderá, no primeiro caso, a R$ 1.577. Nas demais empresas, será de R$ 2.188.

"Importante salientar que o debate de ideias sempre marcou as negociações coletivas no setor farmacêutico e este ano não foi diferente com a proposta de criação de dois novos grupos de trabalho, sendo um deles que vai discutir a cláusula denominada complementação do auxílio doença, acidente de trabalho, doença profissional, quanto à ocorrência de divergência entre a alta pela perícia do INSS e a avaliação sobre o retorno ao trabalho pelo médico da empresa, e o outro que vai tratar da campanha de esclarecimento acerca da aplicação da cláusula denominada auxílio por filho excepcional", acrescenta a Fetquim.

Reforma trabalhista embute cem mudanças na CLT

O relatório sobre a reforma trabalhista, do deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), que deve ser apresentado na quarta-feira, 12, mexerá em 100 pontos da septuagenária Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

"É uma modernização da legislação trabalhista que estamos fazendo", afirmou o deputado. O projeto dá força de lei aos acordos coletivos negociados entre empresas e trabalhadores em vários pontos. Entre eles, permite que sindicatos e empresas negociem jornadas de até 12 horas diárias, desde que respeitado o limite de até 48 horas por semana (contabilizando horas extras).

O projeto propõe ainda que patrões e empregados negociem o trabalho remoto (fora do ambiente da empresa), remuneração por produtividade e registro de ponto.

O relator afirmou também que vai manter no relatório a regulamentação do trabalho intermitente - que permite jornadas inferiores a 44 horas semanais - e o fim da obrigatoriedade do pagamento do imposto sindical.

Marinho disse que o relatório também vai contemplar ao menos duas salvaguardas ao trabalho terceirizado que não constavam do projeto aprovado pela Câmara e sancionado pelo presidente Michel Temer.

Uma das proteções que serão colocadas é restringir que empresas demitam seus funcionários e os recontratem na sequência como terceirizados.

A proibição valerá por 18 meses. "Isso afasta qualquer acusação de que a terceirização poderia servir para uma mera troca de modelos de contratação", diz Marinho.

A outra salvaguarda deve garantir aos terceirizados os mesmos serviços de alimentação, transporte, segurança e atendimento médico dos contratados diretamente.

Em seu parecer, Marinho pretende incluir uma série de mudanças na CLT relacionadas aos direitos das mulheres.

Uma delas é permitir que grávidas e lactantes possam trabalhar em locais insalubres, desde que apresentem um atestado médico.

Hoje, isso é proibido hoje pela legislação trabalhista. "Se não fizermos isso, não vai ter mais mulher trabalhando nos hospitais", exemplificou.

Marinho também vai propor a exclusão do artigo da CLT que diz que mulheres não podem entrar com ações trabalhistas sem autorização do marido e o que proíbe mulheres acima de 50 anos de parcelar as férias.

CRÍTICAS

Para a oposição, as mudanças que serão propostas por Marinho poderão prejudicar o trabalhador.

"Mexer em 100 pontos da CLT é simplesmente propor a revogação da CLT. Isso é inaceitável em uma conjuntura como essa, em um momento de forte desemprego, quando o trabalhador está em fragilidade maior", criticou o deputado Luiz Sérgio (PT-RJ).

Mudanças que precisam passar pelo Congresso

Acordo coletivo com força de lei

Regra poderá ser aplicada em 12 casos específicos:

1. Parcelamento do gozo das férias anuais em até três vezes, com pagamento proporcional, desde que um dos períodos corresponda a pelo menos duas semanas de trabalho ininterruptas.
2. Jornadas de trabalho diferentes de 8 horas por dia, desde que respeite limites de 12 horas em um dia, 44 horas por semana (ou 48 horas, com horas extras) e 220 horas mensais.
3. Parcelar o pagamento da PLR.
4. Regulamentar as horas extras nos casos em que o empregado se desloca usando transporte da empresa.
5. Intervalo de almoço, respeitando mínimo de 30 minutos.
6. Ingresso no PSE.
7. Dispor da ultratividade.
8. Horas que excederem a jornada normal poderão ser convertidas em banco de horas com acréscimo de no mínimo 50%.
9. Trabalho remoto.
10. Remuneração por produtividade.
11. Registro da jornada de trabalho.
12. Plano de cargos e salários.

Contrato temporário de trabalho

A proposta estabelece um período de 120 dias, prorrogável uma vez por igual prazo. Se esse máximo for excedido, o contrato passa a ser por tempo indeterminado. Hoje, são permitidos contratos por 90 dias.

Contrato de jornada parcial de trabalho

O texto substitui a modalidade atual de até 25 horas semanais sem hora extra por outras duas opções. Uma delas é a de contrato de até 30 horas semanais, sem horas extras.

Outra é fixar até 26 horas semanais, com até 6 horas extras, pagas com acréscimo de 50% sobre a hora normal. A medida ainda vai estabelecer férias de 30 dias para todos. Hoje, os contratos parciais dão só 18 dias.

6 de abril de 2017

Sindicato dos Químicos do Estado do Paraná - SIQUIM-PR e a valorização do Profissional da Química

O sindicato é uma associação que reúne pessoas de um mesmo segmento econômico ou trabalhista, tendo também como objetivo principal a defesa dos interesses econômicos, profissionais, sociais e políticos dos trabalhadores.

São funções do SIQUIM:

• Negociar ajustes para convenção e acordos coletivos de trabalho, fixando regras e benefícios a serem aplicados aos contratos de trabalho dos empregados do setor químico;
• Prestar serviços assistenciais aos profissionais da química;
• Arrecadar as contribuições dos associados;
• Colaborar com o Estado;
• Representar administrativamente e judicialmente a categoria dos profissionais da química no Estado do Paraná;
• Atuar politicamente defendendo os interesses dos profissionais da química.

Nesse sentido, o SIQUIM, por exemplo, em representação judicial na defesa da categoria já protocolou neste ano ação ordinária de fazer com pedido de tutela provisória de urgência, insurgindo-se contra ato do Presidente da Comissão de Concurso da Polícia Científica do Estado do Paraná (IML), pretendendo a alteração do edital de concurso nº 001/2017, uma vez que estavam excluídos do concurso os profissionais de nível superior da área de Química (bacharéis em Química, licenciados em Química, Químicos Industriais e Engenheiros Químicos).

O SIQUIM também já ajuizou Mandado de Segurança Nº 1.212.033-5 contra o Governo do Paraná a fim de nomear os candidatos ao cargos de Químico do concurso regido pelo edital nº 115/2009-SEAP para formação de cadastro de reserva para o quadro próprio do poder executivo estadual, sendo deferido o pedido e os candidatos chamados para serem empossados.

É imprescindível salientar que os profissionais da Química (Técnicos, Tecnólogos, Químicos, Biólogos, Bioquímicos e Engenheiros) são representados pelo SIQUIM-PR, porém, muitas empresas não os reconhecem nesta base sindical, entendendo que estes pertencem a outras bases sindicais sendo que deveriam ser representados pelo SIQUIM-PR, ou seja, muitas destas empresas que não reconhecem a categoria dos profissionais da química acabam por não cumprir a Convenção Coletiva de Trabalho-CCT, negociada com cláusulas específicas para a área da química, tais como: piso salarial, adicional de insalubridade... dentre outros, acarretando prejuízos aos trabalhadores, umas vez que estes devem ser remunerados de acordo com a legislação específica da categoria.

Assim, é importante que os profissionais tomem conhecimento da CCT dos profissionais da química a fim de verificar se há irregularidades constantes do contrato de trabalho e, consequentemente, comunicar ao Sindicato com o objetivo de reivindicar os seus direitos.

É importante a sua filiação para que o Sindicato possa garantir, bem como buscar implementar medidas que favoreçam a melhor qualidade do trabalho e assegurar ao trabalhador o cumprimento da legislação.


FILIE-SE!!!

Contato
Site: http://www.siquim.com.br
Telefone: (41) 3026-5748

Elton Evandro Marafigo
Diretor-Presidente
SIQUIM-PR

Proposta ruim de um lado, contraproposta do outro: saiba como estão as negociações do ACT 2017-2018

Na semana passada, estivemos reunidos com a diretoria da Sanepar para conhecer a primeira proposta que a empresa apresentaria referente ao Acordo Coletivo de Trabalho 2017-2018. Como era de se esperar, o que eles oferecem está muito aquém daquilo que desejamos e merecemos.

A proposta da empresa foi:

  • Aumento de 4,69% (referente apenas ao INPC do período) no salário e no vale-alimentação
  • Abono de dezembro referente a 110% do + com o valor fixo igual ao do ano passado (R$ 2.212,80)

Na tentativa de proporcionar melhorias e ganhos aos trabalhadores, o Siquim protocolou a seguinte contraproposta:

  • Ganho real de 2%
  • Correção no vale-alimentação pelo índice do IPARDES (8%)
  • Correção no valor fixo do abono

Agora só nos resta aguardar uma próxima reunião e ver como a empresa vai se posicionar.

Assistente da Embasa que aderiu a PDV tem negado pedido de reintegração

A Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho negou provimento a agravo de um assistente de saneamento que aderiu ao Plano de Demissão Voluntária (PDV) da Empresa Baiana de Águas e Saneamento S.A. (EMBASA) dois dias após ser dispensado e pretendia ser reintegrado sem devolver os valores recebidos como prêmio pela adesão. De acordo com entendimento mantido pela Turma, ele aderiu voluntariamente ao plano.

De acordo com o PDV, firmado em acordo com o sindicato profissional, a Embasa poderia rescindir os contratos de empregados aposentados que continuavam trabalhando ou que estivessem aptos a se aposentar mediante o pagamento de “prêmio aposentaria”. O assistente, aposentado, foi dispensado pela entidade, mas, dois dias depois, aderiu ao plano e recebeu cerca de R$ 37,5 mil como compensação, além das verbas rescisórias.

Depois, no entanto, ele ajuizou reclamação trabalhista na qual requeria a reintegração, alegando que, além de ter sido coagido moralmente a aderir ao plano, a EMBASA, por ser integrante da Administração Pública Indireta, violou o artigo 37 da Constituição Federal, ao não motivar sua dispensa. Também afirmou que não aceitaria retornar à função caso a verba recebida no PDV tivesse que ser compensada.

O juízo da 13ª Vara do Trabalho de Salvador (BA) entendeu que a rescisão foi válida porque, além de a coação não ter sido comprovada, o instrumento coletivo que instituiu o PDV foi pactuado pelo sindicato que representa a categoria. O Tribunal Regional do Trabalho da 5ª Região (BA) manteve a sentença e observou que a rescisão foi justificada por motivação financeira, uma vez que a entidade enfrentava dificuldades econômicas.

No agravo de instrumento pelo qual buscava trazer a discussão do mérito ao TST, o trabalhador sustentou que o Regional se equivocou ao considerar um fato posterior à dispensa (a adesão ao plano) como motivo para a rescisão do contrato de trabalho.

A relatora do recurso, desembargadora convocada Cilene Amaro Santos, no entanto, ressaltou que, como não ficou comprovada a coação, deve ser mantido o entendimento do TRT-BA de que a dispensa foi justificada e aceita pelo empregado. “Ainda que se considere que o trabalhador tenha sido dispensado imotivadamente, consta do acórdão regional, que dois dias após o comunicado de dispensa, ele aderiu de livre e espontânea vontade ao plano de demissão voluntária”, disse. “Logo, não há falar em ofensa ao artigo 37, caput, e II, da Constituição”, concluiu.

A decisão foi unânime. Após a publicação do acórdão, foram opostos embargos declaratórios, ainda não julgados.

Segundo lote do FGTS, para 7,7 milhões de pessoas, será liberado dia 10 de abril

A partir do próximo dia 10 de abril, segunda-feira que vem, a Caixa vai estar preparada para receber mais 7,7 milhões de trabalhadores nascidos em março, abril e maio que passarão a ter o direito de sacar o dinheiro das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Eles representam mais de um quarto do total dos que possuem dinheiro nas contas inativas. A Caixa calcula que essa segunda leva de trabalhadores poderão sacar até R$ 11,2 bilhões.

Desde o dia 10 de março, 4,8 trabalhadores que nasceram em janeiro e fevereiro têm direito ao saque. Para eles, estão disponíveis R$ 6,96 bilhões. Todos, independentemente da data de nascimento, podem retirar o dinheiro até o dia 31 de julho.

Valores até R$ 1,5 mil podem ser sacados no autoatendimento, somente com a senha do Cartão Cidadão. Para valores até R$ 3 mil, o saque pode ser realizado com o Cartão do Cidadão e senha no autoatendimento, lotéricas e correspondentes Caixa. Acima de R$ 3 mil, os saques devem ser feitos nas agências da Caixa.

Para facilidade no atendimento, os trabalhadores devem sempre ter em mãos o documento de identificação e Carteira de Trabalho, ou outro documento que comprove a rescisão de seu contrato. Para valores acima R$ 10 mil é obrigatória a apresentação de tais documentos.

Tem direito a retirar os recursos das contas inativas o trabalhador que pediu demissão ou foi demitido por justa causa até 31 de dezembro de 2015, respeitado o calendário publicado pelo banco. Ao todo, 30,2 milhões de brasileiros têm R$ 43,6 bilhões nas contas inativas que podem ser sacados.

O pagamento das contas inativas começou no dia 10 de março e vai até o dia 31 de julho deste ano, de acordo com o mês de aniversário do trabalhador. Os trabalhadores nascidos em junho, julho e agosto, poderão sacar a partir de 12 de maio; quem faz aniversário em setembro, outubro e novembro, a partir de 16 de junho; os trabalhadores nascidos em dezembro, a partir de 14 de junho.

A Caixa estuda abrir agências neste sábado, dia 8 de abril. Já está certo que o banco abrirá nos sábados 13 de maio, 17 de junho e 15 de julho. Por causa do feriado da Semana Santa, na primeira programação, o banco tinha decidido não abrir no sábado neste mês. No entanto, agora pensa em oferecer atendimentos relacionados ao FGTS: realizar pagamento, solucionar dúvidas, promover acertos de cadastro dos trabalhadores e emitir senha do Cartão Cidadão.

4 de abril de 2017

Sanção do PL da terceirização amplia mobilização popular e isolamento de Temer


A sanção do projeto de terceirização irrestrita, agora Lei 13.429, na sexta-feira (31) à noite, irritou mesmo aliados do governo e sindicalistas mais favoráveis a um processo de negociação, aumentando o isolamento de Michel Temer e ampliando o processo de mobilização, especialmente com vistas à paralisação nacional marcada para o dia 28 deste mês. Na semana passada, o presidente chegou a receber uma delegação da UGT, que reforçou o apelo das centrais pelo veto integral ao projeto. Ao sancioná-lo, Temer "errou feio", disse o presidente da UGT, Ricardo Patah. 

"O PL aprovado possibilita a terceirização para qualquer atividade nas empresas, inclusive, a atividade-fim, o que contribui para precarizar as relações trabalhistas", escreveu Patah em rede social. "A UGT sempre defendeu um projeto que desse segurança e amplas garantias ao trabalhador, podendo ser uma oportunidade de emprego, mas não é o caso."

Defensor do impeachment de Dilma Rousseff, o presidente da Força Sindical, deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho (SD-SP), também critica Temer. Segundo ele, a lei da terceirização e as propostas de reformas trabalhistas e da Previdência, da forma como foram apresentadas, são "medidas que penalizam brutalmente os trabalhadores".

Para o presidente da CSB, Antonio Neto, o governo "cometeu mais um grave e imperdoável erro" ao sancionar o projeto "anacrônico e criminoso" da terceirização indiscriminada. "O governo decidiu romper o diálogo com o movimento sindical, ouve somente os empresários, atua numa postura de confronto e trabalha para assegurar a aprovação de pautas nefastas para o povo brasileiro, em benefício apenas do setor financeiro que, ao longo dos anos, tem promovido a atrofia do setor produtivo brasileiro", afirmou, em nota, o dirigente, que é filiado ao PMDB, mesmo partido do presidente Temer.

"Os ideólogos e articuladores políticos do governo, do alto de suas 'espertezas', miopia e incapacidades eleitorais, estão conseguindo destruir a economia do país, os avanços sociais conquistados, os direitos trabalhistas consagrados, a popularidade do Presidente da República e, por fim, certamente, num futuro próximo, com o Partido que assegurou a democracia no país e os direitos constitucionais", acrescentou Neto.

"O Brasil está nas mãos de um vassalo a serviço da elite econômica", afirmou, também em nota, o presidente da CUT, Vagner Freitas. Desde o impeachment, a CUT e a CTB posicionaram-se contrárias a negociações com o governo Temer. "Ao sancionar este projeto monstruoso, ignorando a voz do povo nas ruas e dos diversos setores organizados da sociedade, Temer deixou cair definitivamente a sua máscara e o objetivo final do golpe: ampliar a desigualdade social e transferir toda a riqueza do país para as mãos de um pequeno grupo de vampiros."

Para a central, com a sanção do PL, o governo "está jogando o Brasil numa profunda instabilidade jurídica".