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28 de abril de 2017

Brasil amanhece em greve geral contra as reformas de Temer

Capitais e principais cidades do país amanheceram paralisadas nesta sexta-feira (28), dia da greve geral convocada pelas frentes populares em protesto contra as reformas da Previdência e trabalhista propostas pelo governo Temer. Em São Paulo, linhas do metrô, ônibus e trens não circulam – com exceção da Linha 4 do metrô, que funciona normalmente. Estradas que dão acesso à cidade e avenidas foram trancadas.

Na Marginal Tietê, as pistas central e expressa foram bloqueadas na altura da Rodoviária Tietê. As avenidas Francisco Morato, Do Estado e Tiradentes (centro) também estão bloqueadas. O mesmo ocorre nas avenidas Nações Unidas, Francisco Matarazzo, Faria Lima e João Dias.

Os principais acessos à Curitiba estão bloqueados – BR-116 e BR-277 – e também a Avenida das Torres, que dá acesso ao aeroporto Afonso Pena. A capital paranaense está com 100% dos ônibus parados.

Trabalhadores de Sergipe fecham a ponte do Marcos Freire II, em Socorro, e a Avenida Heráclito Rollemberg, em Aracaju.

Portuários ocupam a Companhia Docas do Pará e trancam as ruas de acesso ao mercado Ver-o-peso, no centro de Belém.

Aeroportos
Mais de mil integrantes da Frente Povo Sem Medo fizeram trancamento da Rodovia Hélio Smidt, que dá acesso ao Aeroporto de Guarulhos (SP) no início da manhã. O aeroporto funciona com atrasos nas operações, mesma situação de Congonhas, na zona sul da capital paulista. 

Manifestantes também bloquearam os acessos aos aos principais aeroportos Santos Dumont (Rio) e Juscelino Kubtschek (Brasília). 

27 de abril de 2017

SIQUIM-PR convoca para greve geral de 28 de abril

O Sindicato dos Químicos do Estado do Paraná - SIQUIM-PR convida os profissionais da química a participarem da greve geral nesta sexta-feira, dia 28 de abril, em defesa dos direitos trabalhistas e previdenciários. A entidade se soma a inúmeras outras organizações nacionais e estaduais, além das Centrais Sindicais e de sindicatos das mais variadas categorias profissionais.
As reformas Trabalhistas e da Previdência, ambas propostas pelo presidente Michel Temer, representam um desmonte dos atuais parâmetros das relações de trabalho e da Seguridade Social no Brasil. Mesmo impondo modificações na Constituição Federal e a desconfiguração da CLT, as propostas avançam em ritmo acelerado no Congresso, sem o devido processo democrático de debate com a sociedade. Importante ressaltar que o Ministério Público do Trabalho (MPT) divulgou segunda-feira (24), uma Nota Técnica em que pede rejeição ao relatório da reforma Trabalhista, concluindo que o projeto tem inconstitucionalidades expressas sem nenhum pudor e violações às convenções internacionais das quais o Brasil é signatário.
Para além da paralisação, o SIQUIM-PR convida a categoria a reforçar a mobilização do dia 28 com o boicote ao comércio em geral, às instituições públicas, ao transporte público, etc. A intenção é que os efeitos da greve sejam percebidos em todos os setores, para que a vontade da maioria da população seja, de fato, respeitada.
Veja abaixo os três principais motivos para aderir à greve geral:
Terceirização: O presidente Michel Temer (PMDB) e a Câmara dos Deputados aprovaram, em março, a terceirização geral e irrestrita e contratações temporárias para o setor privado e público. Como consequência, haverá maior precarização das relações de trabalho e achatamento dos salários
Reforma trabalhista: Com o argumento de “modernizar” as leis trabalhistas, a Reforma Trabalhista está no bojo das medidas de desmonte dos direitos e garantias conquistadas pelos trabalhadores. 
Reforma da previdência: Conseguir se aposentar passará a ser um privilégio caso a reforma da Previdência proposta pelo Governo Federal seja aprovada no Congresso. A idade mínima para se aposentar pode passar a ser de 62 anos para mulheres (com aumento progressivo a cada ano) e de 65 anos para homens. Ambos terão de contribuir para o INSS ou para os regimes estatais por pelo menos 25 anos.

26 de abril de 2017

Químicos fazem mobilização nacional pró-paralisação no dia 28 de abril

As entidades da categoria química, representadas pela Confederação (CNTQ), atuam pró-paralisação dia 28. Segundo o presidente Antonio Silvan Oliveira, a primeira fase foi levar informação ao trabalhador. “A principal mensagem às bases é denunciar os impactos das reformas do governo”, diz.

Com foco nas empresas mais estratégicas, a Confederação vem mobilizando em todo o País. “Há Estados em que esse trabalho está bem forte, porque, além da nossa iniciativa, estamos juntos com as Centrais e as Intersindicais da região”, conta Silvan.


Antonio Silvan, da CNTQ

Para o sindicalista, a política de Temer agrava a recessão e o desemprego. Ele comenta: “Na verdade, a política neoliberal do governo é ruim para o próprio setor produtivo. A recessão prejudica quem produz, porque a empresa não terá a quem vender suas mercadorias”.

Ampliar - Além das categorias de trabalhadores, o presidente da Confederação dos Químicos (Força Sindical) defende que o sindicalismo agregue setores da população. “Estamos tratando com os movimentos sociais e entidades da sociedade. Quanto mais gente no movimento mais chances de derrotar as reformas”.

Serginho - Sergio Luiz Leite (Serginho), presidente da Federação dos Químicos (Fequimfar), conta que a mobilização está forte na base. “Pena não termos pernas pra cobrir todo o Estado, porque a vontade do trabalhador é parar”, diz.

25 de abril de 2017

Centrais apostam em greve 'contundente' na sexta contra reformas

As centrais sindicais apostam em uma paralisação "contundente" na próxima sexta-feira (28) contra as reformas trabalhista e da Previdência, a terceirização e "por nenhum direito a menos". As entidades avaliam também que o governo Temer enfrenta dificuldades para levar sua agenda adiante, enfraquecido e com baixa popularidade. Em reunião realizada na tarde de hoje (24), na sede da Força Sindical, em São Paulo, dirigentes das centrais falaram, inclusive, na possibilidade de nova manifestação nacional, na sequência da tramitação das reformas. 

"Queremos mostrar nossa indignação com o desmonte que esse governo está fazendo", afirmou o presidente da UGT, Ricardo Patah. Segundo ele, categorias como motoristas de ônibus urbanos, caminhoneiros, motoboys e trabalhadores na limpeza urbana – de sindicatos filiados à central – vão aderir à greve na sexta-feira, o que deve garantir ainda força ao movimento, inclusive em relação aos protestos realizados em março "Vai ser com certeza muito mais amplo." 

Para Patah, as centrais tiveram certo "afastamento" após o período de impeachment, por diferença de posições em relação ao processo, mas se rearticularam e estão unidas contra o "momento caótico" que o país vive. "Essas questões já estão superadas", afirmou o dirigente, para quem o governo comete um "crime de lesa-pátria contra os direitos dos trabalhadores".

O secretário-geral da CSB, Álvaro Egea, avalia que a greve geral de sexta-feira poderá "criar outro patamar" em relação à possibilidade de barrar as reformas. "O governo está absolutamente intransigente, mas acredito que isso (paralisação) vai criar impacto. A avaliação que foi feita (na reunião) é que a reforma trabalhista é devastadora, refunda todos os parâmetros do Direito do Trabalho que vem sendo construídos desde o século 19. É uma reforma a favor da empresa e contra o trabalhador. Enfraquece a Justiça de uma forma brutal. Devemos dar uma resposta muito contundente."

Para o sindicalista, o governo se aproveita de uma situação econômica de crise e de um momento de retrocesso político "para impor essa agenda tão sonhada pelos empresários há tantos anos". A proposta tem "ideologia privatista", acrescenta.

Hoje, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que o substitutivo ao Projeto de Lei 6.787, de reforma trabalhista, deverá ser votado no plenário até quinta-feira. Se aprovado, seguirá para o Senado.

Trabalhadores em montadoras cujos sindicatos são ligados às centrais CUT, Força Sindical, CTB, CSP-Conlutas e Intersindical fazem nesta terça (25) um dia nacional de mobilização. O protesto é contra o projeto de reforma trabalhista e a lei de terceirização, sancionada em março por Michel Temer. No ABC paulista, haverá assembleias pela manhã. O movimento deve atingir o interior do estado e unidades em Minas Gerais, Paraná, Pernambuco e Santa Catarina.

"Ela (reforma) muda os paradigmas da negociação coletiva, incentiva o trabalho temporário e a ‘pejotização’, desvaloriza os salários", afirma o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques.



24 de abril de 2017

Reforma prevê novos tipos de jornada de trabalho; saiba quais são eles!

O brasileiro poderá ter novos tipos de jornadas de trabalho regulamentados, caso a reforma trabalhista avance no Congresso. O relatório propõe a regulamentação da jornada intermitente, do teletrabalho (home office) e mudanças no regime de tempo parcial. O relatório do deputado Rogério Marinho (PSDB-RN) afirma que a CLT precisa disciplinar as novas modalidades de contratação, “decorrentes das inovações tecnológicas e as suas consequências”.

A maior novidade do relatório parece ser a jornada intermitente, em que o empregado recebe por hora. A justificativa para a inclusão dessa modalidade é de que ela já ocorre no mercado informal e é prática em outras economias, inclusive mais desenvolvidas que o Brasil.

Como o projeto define a “jornada intermitente”?

O objetivo da reforma é regulamentar a contratação de funcionários sem horários fixos de trabalhos – o que já ocorre em alguns setores, como o de bares e restaurantes. A proposta prevê a prestação de serviço de forma descontínua, com períodos alternados de trabalho e folga.

O trabalho intermitente pode ser um estímulo a contratação em períodos de crise, de acordo com Adauto Duarte, conselheiro jurídico do Instituto Via Iuris. “O trabalho intermitente pode ser uma ferramenta para adequar o mercado – tanto para o empregado, que precisa de uma atividade parcial, quanto para o empregador, que não tem certeza da demanda”, justifica.

Por outro lado, o professor de direito do trabalho da UFPR Sandro Lunard Nicoladeli lembra que o risco da atividade profissional é do empregador e que a jornada intermitente acaba por fragilizar ainda mais o funcionário. “O trabalhador é acessado ao acaso. O que vale é a atividade empresarial a qualquer tempo e a qualquer custo e você desorganiza a vida privada desse trabalhador”, argumenta.

O advogado especialista em Relações do Trabalho, Fabiano Zavanella, sócio do Rocha, Calderon e Advogados Associados, pondera que essa figura não existe no ordenamento jurídico brasileiro e divide muitas opiniões. Entre os pontos positivos, ele cita a possibilidade de um estudante adaptar os horários de seus cursos ao trabalho e obter uma renda ou mesmo para atender a sazonalidade de algumas atividades. Por outro lado, o empregado fica à mercê do empregador. “Ele só é chamado quando a empresa tiver interesse e tem um ganho muito menor que o trabalhador regular, podendo receber até mesmo menos que o piso daquela categoria”, pontua.

Reforma trabalhista prevê demissão de “comum acordo” entre empregado e empregador - Legislação deve acompanhar mudanças

Para Zavanella, falta bom senso e razoabilidade no debate, que está muito polarizado e não caminha para um entendimento. “Precisamos de uma atualização da legislação para atender essa nova forma de trabalho e emprego e tirar essa enorme massa da informalidade”, defende. Ao virar as costas para esse tema, o advogado pontua que se perpetuam os riscos para o trabalhador, que seguirá na informalidade, e potencializa prejuízos para empresas, que ficam descobertas em caso de fiscalizações e vulneráveis a ações judiciais, que podem por fim ao negócio. “Não adianta matar a galinha se se quer ter ovos”, lembra.


Mais jornadas - Além do trabalho intermitente, a reforma trabalhista prevê outros tipos de jornada de trabalho.

- Teletrabalho: a proposta prevê esse modelo de contratação, em que o funcionário trabalha em um ambiente distinto da sede da empresa, “com utilização de tecnologias da informação e de comunicação”. O Art 62 foi alterado e um novo capítulo (II-A) criado para normatizar o tipo de relação trabalhista. De acordo com a proposta, a prestação de serviços nesta modalidade deve ser descrita no contrato de trabalho, embora o comparecimento eventual à sede não a descaracterize. As alterações do regime de trabalho podem ser feitas se houver mútuo acordo entre as partes, com aditivo contratual.

- Regime de tempo parcial: o trabalho neste regime é aquele cuja duração não ultrapassa 30 horas semanais, sem a possibilidade de horas-extras, ou o que não excede 26 horas semanais, com a possibilidade de acréscimo de até seis horas suplementares por semana. As mudanças estão no Art. 58-A – antes, só eram permitidas as contratações até 25 horas semanais. Além da mudança no tempo do regime parcial, a proposta iguala o gozo de férias dos contratados neste regime aos empregados com prazo determinado e permite a conversão de um terço do período de férias em dinheiro.


O que diz o projeto sobre “jornada intermitente”

Além de definir o tipo de trabalho, há a regulamentação dos direitos dos trabalhadores. Veja:

Art 443: Ele define o que é trabalho intermitente como aquele em que “a prestação de serviços, com subordinação, não é contínua, ocorrendo com alternância de períodos de prestação de serviços e de inatividade, determinados em horas, dias ou meses, independentemente do tipo de atividade do empregado e do empregador, inclusive as disciplinadas por legislação específica”.

Art 452-A: De acordo com o artigo, o trabalho intermitente deve ter um contrato por escrito, com o valor da hora de trabalho. Ela não pode ser inferior ao valor da hora do salário mínimo ou ao que é pago aos demais funcionários que exercem a mesma função.

Nesse artigo, é determinado que a prestação do serviço deve ser convocada pelo empregador por meio de comunicação eficaz, informando a jornada e com antecedência de três dias corridos. Após a convocação, o empregado tem um dia útil para responder. Ao fim da prestação de serviço, o empregado deve receber as seguintes parcelas: remuneração, férias proporcionais com acréscimo de um terço, décimo terceiro salário proporcional, repouso semanal remunerado e adicionais legais. O empregador também deve recolher o FGTS e contribuição previdenciária proporcionais. A cada doze meses, o empregado ganha o direito de um mês de férias no ano seguinte.

20 de abril de 2017

Sanepar apresenta complemento para proposta do ACT 2017-2018. Confira!

Os sindicatos que representam os trabalhadores da Sanepar estiveram em reunião com a empresa na data de ontem (19) para conhecer o complemento da proposta para o Acordo Coletivo de Trabalho 2017-2018. Confira abaixo:



Governo atropela e aprova urgência para reforma trabalhista

A Câmara dos Deputados aprovou, na noite desta quarta-feira (19), o regime de urgência para o substitutivo ao Projeto de Lei 6.787, que mexe com a legislação trabalhista. Era uma nova tentativa de aprovar a urgência, rejeitada na sessão de terça, em uma derrota do governo. Desta vez, foram 287 votos a favor, 30 acima do número necessário e 57 a mais do que na véspera, e 144 contrários, menos que os de terça (163).

A base governista tentava votar de qualquer maneira, enquanto a oposição queria mais tempo. O presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ignorou recurso contra o requerimento de urgência e esticou o prazo para garantir quórum maior do que o da véspera. A estratégia irritou a oposição. "Desse jeito não tem mais relação política aqui dentro", disse o líder da minoria, José Guimarães (PT-CE). "O governo não pode agir desse jeito, não pode tratorar", acrescentou.

Para ele, a retirada da urgência era importante para "pacificar" a Casa. O deputado lembrou que, no caso da reforma da Previdência, foi possível chegar a um acordo para votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287 em 2 de maio. 

Terça à noite, o plenário rejeitou o requerimento de urgência por insuficiência de votos: foram 230 a favor, quando o mínimo necessário é 257. Outros 163 votaram contra. Aprovada a urgência, não é possível pedir vista ou fazer mais emendas na comissão especial que discute o substitutivo, feito pelo deputado Rogério Marinho (PSDB-RN).

"Essa história de ser ao mesmo tempo presidente da Câmara e líder do governo não é algo que seja razoável", criticou o líder do Psol, Glauber Braga (RJ), referindo-se a Rodrigo Maia. O partido apresentou recurso para que a matéria não seja votada, afirmando ter o mínimo necessário de um terço dos deputados presentes, mas Maia ignorou o pedido e encaminhou a votação do requerimento de urgência. Parte dos parlamentares subiu até a mesa para pressioná-lo, gritando "golpe".

"Manobra vergonhosa", disse Henrique Fontana (PT-RS). "Mais de um terço não quer votar essa matéria. Vossa excelência está ferindo o regimento", acrescentou Maria do Rosário (PT-RS), dirigindo a Maia. "Propus votar no dia 3 de maio, e o PT não quis", afirmou o presidente da Câmara.

'Meirelles quer botar fogo no país'

O líder do PT, Carlos Zarattini (SP), disse que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, é o principal responsável pelo crescimento do desemprego no país, com uma política econômica "desastrosa". E afirmou que Meirelles "quer botar fogo no país, levando a um confronto social". Ele propôs reunir o Colégio de Líderes da Casa para discutir um acordo. O líder do DEM, Sóstenes Cavalcante (RJ), rebateu, atribuindo o desemprego a um governo "que não teve responsabilidade fiscal". Presidente da comissão especial da reforma trabalhista, Daniel Vilela (PMDB-GO), reafirmou que o substitutivo feito por Marinho não suprime direitos. "Nunca houve um ataque tão grande aos trabalhadores", reagiu Alessandro Molon (Rede-RJ).

"De fato, conversamos, mas aguardamos a vossa palavra (de Maia) até hoje o meio da tarde. Existia uma expectativa, , mas a resposta não veio, e a inflexão esperada pelo senhor relator, muito menos", disse a líder do PCdoB, pedindo ao presidente da Câmara a suspensão do pedido de urgência. Ela também pediu uma reunião dos líderes. "Essa pressa de aprovar (a urgência) é a pressa de quem tem medo das ruas", afirmou Chico Alencar (Psol-RJ). 

O relator lembrou que seu substitutivo foi feito após receber mais de 850 emendas, sendo 400 acolhidas. Para ele, o texto atualiza a legislação e reduz a "judicialização" dos conflitos trabalhistas. "Quase dois terços (do relatório) é um texto novo. Portanto, não dá para aprovar esse texto novo. Existem matérias preocupantes no texto do relator", disse o líder do PPS, Arnaldo Jordy (PA), acrescentando que é preciso mais tempo para compreensão das propostas. Na sessão de ontem, ele votou contra o pedido de urgência.

Líder do PDT, Weverton Rocha (PA) protestou porque, segundo ele, o microfone do partido foi desligado. "Impressionante como temos a capacidade de implodir a nós mesmos", afirmou. Para ele, uma matéria da importância da reforma trabalhista deveria passar pelas comissões permanentes, em vez de uma comissão especial – que também estaria sendo desrespeitada. "Com a aprovação do regime de urgência, ela perde a legitimidade", disse o deputado. "Essa reforma rasga, sim, o direito do trabalhador. Esta Casa tem de ter altivez, tem de ter independência."

Curitiba registra terceira menor inflação em abril, segundo IPCA

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) teve variação de 0,21% em abril e ficou acima da taxa de 0,15% de março em 0,06 ponto percentual (p.p.). Desde 2006, quando o índice ficou em 0,17%, não há registro de índice mais baixo para os meses de abril.

Com isto o resultado no ano foi para 1,22%, bem abaixo do que os 3,32% referentes ao mesmo período do ano anterior.

Em relação aos últimos doze meses, o índice desceu para 4,41%, abaixo dos 4,73% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores, constituindo-se na menor variação acumulada em períodos de 12 meses desde janeiro de 2010 (4,31%). Em abril de 2016, a taxa foi 0,51%. O Paraná teve a terceira menor variação de preços, com 0,06% em abril.

No mês, os grupos Alimentação e Bebidas, com 0,31% de variação e impacto de 0,08 p.p., aliado a Saúde e Cuidados Pessoais, com 0,91% e 0,10 p.p., que, juntos, somam 0,18 p.p., foram os principais responsáveis pelo resultado do IPCA-15. A tabela a seguir mostra os resultados de todos os grupos de produtos e serviços pesquisados.

Nos alimentos (0,31%), o tomate, 30,79% mais caro, se destaca na liderança no ranking dos maiores impactos no índice. Além dele, outros produtos passaram a custar mais de março para abril, a exemplo da batata-inglesa (11,63%), dos ovos (5,50%) e do leite longa vida (1,49%).

Em Saúde e Cuidados Pessoais (0,91%), grupo que mostrou a mais elevada variação, os remédios sobressaem com alta de 0,86%, refletindo parte do reajuste anual, que passou a valer a partir de 31 de março, variando entre 1,36% e 4,76%, conforme o tipo do medicamento. Plano de saúde (1,07%), artigos de higiene pessoal (0,92%) e serviços médicos e dentários (0,89%) também exerceram influência sobre o resultado.

No grupo Habitação (0,39%) o botijão de gás ficou 3,16% mais caro, enquanto as contas de energia elétrica (0,00%) não mostraram variação em relação ao mês anterior. Isto porque, apesar do reflexo de parte do desconto referente ao Encargo de Energia de Reserva – EER, as contas de energia refletiram, também, a introdução das bandeiras amarela e vermelha, em vigor a partir de primeiro de março e primeiro de abril, respectivamente. Além disso, junto com movimentos nas parcelas referentes ao PIS/COFINS em todas as regiões pesquisadas, foi apropriada parte de reajuste ocorrido nas tarifas de uma das concessionárias do Rio de Janeiro e redução em outra.

Entre os demais grupos destacam-se as quedas registradas nos Artigos de Residência (-0,43%) e Transportes (-0,44%). Em relação ao grupo Transportes (-0,44%), apesar da alta de 15,32% nas passagens aéreas, o resultado foi influenciado pela queda nos preços dos combustíveis (-2,77%), sendo que o litro da gasolina ficou 2,24% mais barato e o litro do etanol atingiu queda de 5,48%.

Para o cálculo do IPCA-15 os preços foram coletados no período de 15 de março a 12 de abril de 2017 (referência) e comparados com aqueles vigentes de 14 de fevereiro a 14 de março de 2017 (base). O indicador refere-se às famílias com rendimento de 1 a 40 salários mínimos e abrange as regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife, São Paulo, Belém, Fortaleza, Salvador e Curitiba, além de Brasília e Goiânia. A metodologia utilizada é a mesma do IPCA, a diferença está no período de coleta dos preços e na abrangência geográfica.

Fonte: Bem Paraná.

Reforma Previdenciária começa a ser votada em 2 de maio

A Comissão Especial da Reforma da Previdência (PEC 287/16) chegou a um acordo para a apresentação do parecer do relator, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA). Com isso, parlamentares contrários à proposta se comprometeram a não obstruir os trabalhos. Ontem, após a leitura, houve pedido de vista coletivo. O debate será iniciado na próxima terça-feira, 25, podendo ser estendido até quinta-feira, 27. A votação na comissão especial deverá ser iniciada no dia 2 de maio.

Maia apresentou uma versão preliminar do relatório, fixando a idade mínima de aposentadoria em 62 anos para as mulheres e em 65 anos para os homens após um período de transição de 20 anos. Ou seja, o aumento seria progressivo, começando em 53 e 55 anos, respectivamente, na data da promulgação da emenda.

O texto mantém em 25 anos o tempo mínimo de contribuição para acesso ao benefício, que será igual a 70% da média de todos os salários de contribuição desde julho de 1994. Após 25 anos de contribuição, cada ano seria contado a mais, possibilitando a obtenção de 100% da média aos 40 anos de contribuição.


Principais pontos alterados na Reforma da Previdência

Policiais 

Conforme o parecer, até que entre em vigor lei complementar que trate do regime de aposentadoria dos militares, os policiais federais, rodoviários federais, ferroviários federais, policiais civis e os agentes penitenciários poderão se aposentar aos 55 anos de idade, com 30 anos de contribuição para homem e 25 para mulher e 20 anos de efetivo exercício em cargo de natureza estritamente policial ou de agente penitenciário. A proposta enviada pelo Executivo previa a idade mínima de 60 anos para aposentadoria dos policiais.

Aposentadoria rural

A idade mínima de aposentadoria para trabalhadoras rurais caiu de 60 para 57 anos. Para os homens, será de 60 anos. O tempo de contribuição será de15 anos, e não 20, como apresentado anteriormente. Para os produtores rurais, a contribuição deverá ser feita de forma individual com alíquota calculada sobre o salário mínimo. Atualmente, a contribuição é calculada a partir da produção vendida.

Idade mínima 

No Regime Geral de Previdência, os homens poderão se aposentar ao completar 65 anos e as mulheres, ao chegar aos 62 anos. O projeto original previa idade mínima de 65 anos para homens e mulheres.

Regra de transição

A idade mínima prevista para as mulheres é 53 anos e vai aumentar um ano a cada dois anos até a trabalhadora chegar aos 62 anos. Para os homens, a idade mínima está prevista em 55 anos, com aumento de um ano a cada dois anos, até alcançar 65 anos. O pedágio (período que o trabalhador terá que cumprir para alcançar o tempo de contribuição previsto nas regras atuais) foi reduzido de 50% para 30%.

Tempo de contribuição

Os trabalhadores (homens e mulheres) terão de contribuir por, pelo menos, 25 anos para receber 70% da média dos salários. Na proposta original, o porcentual estipulado era 51%. Para receber 100% da aposentadoria a quem tem direito, o trabalhador terá de contribuir por 40 anos, e não 49 anos como previsto na proposta original.

Pensão

Ficou mantida a possibilidade de acúmulo de pensão e aposentadoria, mas com um teto de dois salários mínimos. 

Benefício de Prestação Continuada

No caso do Benefício de Prestação Continuada (BPC), o relator manteve a vinculação com o salário mínimo. Porém, a idade mínima subiu para 65 anos até chegar a 68 anos. Na proposta original, a idade sugerida era 70 anos.

Fonte: Bem Paraná.

17 de abril de 2017

Previdência foi 'cortina de fumaça' para reforma trabalhista, diz relator

A reforma da Previdência serviu como "cortina de fumaça" para a reforma trabalhista, segundo avaliação do deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), relator do Projeto de Lei 6.787 em comissão especial – seu substitutivo poderá ser votado nesta quarta ou quinta-feira. O texto mexe com 117 dos 922 artigos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que são alterados ou suprimidos, e segundo Marinho busca evitar a "judicialização excessiva" na área trabalhista, no que ele chama de "ativismo judicial".

Em palestra na manhã de hoje (17) na Câmara Americana de Comércio (Amcham), na região sul de São Paulo, o relator disse que a preocupação geral se concentrou sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287, da Previdência, deixando o debate sobre a questão trabalhista em segundo plano, o que só mudou com a leitura do relatório, na quarta-feira passada (12). "Há uma grande possibilidade de que a tramitação não tenha muitos sobressaltos", avaliou.

Segundo o deputado, uma reunião no Palácio do Planalto, ontem, abriu a possibilidade de aprovar pedido de urgência amanhã para que o relatório seja votado na comissão especial ainda nesta semana, a fim de ser submetido ao plenário da Câmara na semana que vem, para então ser remetido ao Senado. Ele calculou que todo o processo esteja concluído até meados de junho.

A uma plateia formada majoritariamente por executivos e analistas financeiros – com aproximadamente 5 mil sócios, a Amcham Brasil é a maior das câmaras americanas fora dos Estados Unidos e tem um grupo de trabalho específico sobre o tema –, o parlamentar reafirmou que a CLT foi um marco que perdeu atualidade, sem atender a maior parte da atual força de trabalho. Ele definiu seu projeto não como reforma, mas reestruturação.

Para o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), o projeto representa não uma reforma, mas um "desmonte" para os trabalhadores e suas entidades de representação, que interessa apenas ao mercado e ao capital. 

"Nós decidimos ousar", afirmou o tucano, citando três possíveis momentos históricos em relação à questão trabalhista: 1943 (surgimento da CLT), 1988 (promulgação da Constituição) e 2017 ("modernização"). Sobre as  manifestações de sindicalistas previstas para amanhã e a greve geral do dia 28, comentou que "fazem parte do processo democrático". E referiu-se às críticas ao texto vindas do Ministério Público do Trabalho e da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho, entre outras entidades, como "o mantra de sempre". Para a Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra), o PL 6.787 "blinda o mais forte" e fragiliza o trabalhador.

Uma das alterações propostas, no artigo 447 da CLT, tira do sindicato, no caso de funcionários com mais de um ano de casa, a responsabilidade pela rescisão contratual. Isso passaria a ser feito no âmbito da empresa, com um advogado escolhido pelo trabalhador – ou o sindicato, se ele fizer essa opção. Ele também cria o que chamou de "quitação anual" de possíveis débitos trabalhistas, que seria um processo facultativo.

Em outro item, se permite que empregador e empregado possam, "de comum acordo", extinguir o contrato de trabalho. "A medida visa a coibir o costumeiro acordo informal, pelo qual é feita a demissão sem justa causa para que o empregado possa receber o seguro-desemprego e o saldo depositado em sua conta no FGTS, com a posterior devolução do valor correspondente à multa do Fundo de Garantia ao empregador." Pela proposta do relator, ao se extinguir o contrato, o trabalhador teria direito a metade do aviso prévio e só poderá movimentar 80% da conta vinculada e não terá direito a receber seguro-desemprego.

Marinho falou também sobre o item relativo à representação de empregados no local de trabalho, contando ter tomado café da manhã com executivos da Fiat e da Chrysler, que manifestaram preocupação sobre o tema. Pelo relatório, seriam três representantes por local de trabalho (considerando-se a base territorial da empresa), com até 200 funcionários, cinco se o número de empregados chegar a 3 mil e o máximo de sete se houver 5 mil trabalhadores. Esses representantes não precisam ser sindicalizados. A ideia da representação, argumentou, é criar "filtros" para evitar recursos ao Judiciário.

Em relação à prevalência do negociado sobre o legislado, o relator afirmou que listou 16 itens que podem ser objetos de acordo (o PL original falava em 13) e 29 que não podem. Segundo ele, isso serve "para que não haja duplicidade de interpretação do julgador". 

Questionado sobre a Lei 13.429, de terceirização ampla, sancionado em 31 de março pelo presidente Michel Temer, o deputado avalia que o texto "já resolve o problema", no sentido de não deixar dúvida sobre a possibilidade de terceirizar atividades-fim das empresas. Mas ele acredita que, mesmo assim, a lei será questionada juridicamente. Por isso, acrescentou em seu substitutivo um item para "clarificar" o assunto. Para o parlamentar, a nova lei traz o país do século 19 para o atual.

O substitutivo também torna opcional a contribuição sindical, tanto de trabalhadores como de empregadores. O deputado diz que há excesso de sindicatos no país, repetindo várias vezes o número 17.081. Dirigentes afirmam que a medida enfraquece as entidades no momento em que se exigirá maior presença como negociadoras.

Marinho acredita que a Operação Lava Jato não será motivo de dificuldade para a tramitação da matéria. "O Judiciário está funcionando, o Ministério Público está funcionando, a Polícia Federal está funcionando, o Parlamento tem de funcionar."